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Jo Passos

E depois?

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Enquanto não fizeres as pazes com quem tu és, nunca estarás satisfeito com o que tens” – Doris Mortman

Uma vez que tenhamos encontrado o nosso propósito de vida, teremos conseguido a nossa realização pessoal. O que fazer depois de atingirmos a realização pessoal? A realização pessoal é uma porta por onde passamos. Mas para lá dessa porta há todo um caminho, feito por medida por nós e para nós. Uma vez aí, só temos que passar o resto da nossa vida caminhando pelo caminho traçado por nós e mais ninguém. Ao seguirmos por esse caminho saberemos quem somos. Isso proporcionar-nos-á um controle quase total sobre nós próprios pela primeira vez na vida. Dar-nos-á a noção clara de objectivos a atingir, em vez de andarmos à deriva pela vida. Eliminará a confusão inerente às incertezas da vida e daremos conta de que a nossa vida tem um propósito, porque nós temos um. É que se não soubermos exactamente o que queremos da vida, nunca estaremos satisfeitos com coisa alguma, porque nunca saberemos estabelecer as condições para a nossa própria satisfação. Se não soubermos de verdade quem somos, nunca saberemos o que queremos, devamos ou possamos querer. Nestas circunstâncias por quem e por que raio vivemos nós?

A principal razão pela qual seremos capazes de ser verdadeiramente felizes será sempre o facto de sabermos o que afinal é importante na e para a nossa própria vida. E ao concentrarmo-nos no que realmente importa, é certo que abandonaremos as ambições ocas e vazias que sempre nos colocaram sob stress. E enquanto não nos realizarmos pessoalmente estaremos sempre vulneráveis, deixando que as pessoas à nossa volta nos condicionem os pensamentos, as palavras, os gestos, as atitudes, os comportamentos, a nossa própria vida. Numa realidade como esta, não precisamos de saber mais sobre o que é ser-se infeliz.

Ser ou não ser… Quem? (Cont.)

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Termos a ideia de quem queremos ser ou passar a ser, de nada serve, a menos que estabeleçamos (e executemos) um plano que sirva de ponte entre quem a gente é e quem quer ser. O método será único para cada indivíduo, dependendo das suas forças, das suas fraquezas e dos objectivos que se proponha atingir. Portanto, é impossível ser-se mais específico em relação a isso. De qualquer forma, se soubermos pensar, seremos perfeitamente capazes de criar um plano produtivo. Se não, vejamos: não estamos a começar este processo a partir de um quadro em branco. Já temos a mente cheia de informação útil e conhecimento dos nossos traços de personalidade. Assim sendo, uma das primeiras coisas a fazer é olharmos muito bem para nós próprios, tal como somos hoje, e decidirmos quais os traços de carácter que pretendemos manter e quais os que pretendemos descartar. Recriarmo-nos não significa necessariamente mudar tudo aquilo que já somos. Do mesmo modo, mantermos traços de personalidade do passado não significa necessariamente que pareçamos uma sombra de outra pessoa – a tal que queremos deixar de ser – desde que assumamos tais traços. Uma vez estabelecido que traços da nossa personalidade foram criados – também – pelos ambientes em que vivemos, podemos igualmente optar por mantê-los e assumi-los.

Descartar os traços da personalidade que não queremos, nem sempre pode ser levado a cabo por simples tomada de decisão. Às vezes a libertação do passado pode exigir um trabalho bastante significativo. Precisamos primeiro de calcular quanto e/ou o que nos pode custar para que isso aconteça. Depois precisamos de traçar um plano com vista a esse objectivo. Só então devemos executar esse plano, mas tendo em conta que a força de vontade apenas pode não ser suficiente. Tomemos a dependência emocional ou psicológica como exemplo. Suponhamos que chegámos à conclusão de que temos tendência para qualquer destes tipos de dependência. Decidirmos não mais ser  dependentes e depois combater-lhes os impulsos quando os reconhecemos, pode não resultar. Precisamos antes de estudar e analisar tudo o que pudermos sobre dependências. Quanto mais entendermos sobre dependências, melhor saberemos lidar com as nossas tendências para dependências (o que são, por que razão existem, e as consequências do tipo de comportamento imposto por elas). Assim, a decisão para a mudança exigirá um esforço cada vez menor. Se conseguirmos ver tudo com clareza, já não haverá sentimentos contraditórios a combater. Veremos claramente o caminho e não teremos outra hipótese que não segui-lo. Portanto, se quisermos mudar-nos a nós  próprios, precisamos de trabalhar no sentido do reconhecimento, o mais profundo possível, das áreas que queremos melhorar, até que tudo o que consigamos ver seja apenas o caminho a seguir.

Assumir os aspectos da nossa personalidade que queremos manter e descartar os que não queremos não preencherá completamente o fosso entre quem somos e quem queremos ser, a menos que isso nos baste para nos sentirmos suficientemente bem com quem somos. Caso contrário, teremos que fazer a caminhada no sentido de criarmos os traços de personalidade que pretendemos e que presentemente não possuímos. Para isso é necessário muito trabalho e ainda muito mais inteligência, pois o plano tem que ser essencialmente prático. Contudo, nunca deixemos de sonhar. Não importa o quão ridículos ou impossíveis os nossos sonhos possam ser ou parecer. Podemos concretizá-los.  Porém, os nossos sonhos não se realizam pelo simples facto de neles acreditarmos. Realizam-se pela compreensão dos obstáculos que o mundo real coloca entre nós e eles. Depois, pelo uso da lógica e do raciocínio criativo, muito podemos fazer no sentido de vencermos ou contornarmos esses obstáculos.

(Permitam-me aqui o discurso directo) Mesmo que morras na perseguição dos teus sonhos antes que se realizem, terás morrido… na perseguição dos teus sonhos. E que significado terá tal facto? Todo o tempo que tiveres passado em vida terá tido esse  significado imenso que é teres um propósito de vida, viveres e morreres a tentar concretizá-lo. Podemos pedir mais do que termos um propósito de vida? Certamente que não.

Ser ou Não ser… Quem?

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Para que alguém consiga ser a pessoa que quer ser, tem que decidir quem quer ser. Isto confunde-se facilmente com a pergunta “O que queres ser?”, cuja resposta inclui – regra geral – como pretendemos obter o nosso sustento (vulgo “ganhar a vida”). Esqueçamos como queremos ganhar a vida e imaginemos uma pessoa fechada numa cadeia pelos próximos vinte anos. No interior de uma cela, quem essa pessoa pode querer ser? Deve deixar de querer ser, no mínimo, livre, usando o destino – ou outra razão ilógica – como desculpa? E se essa cela for não mais nem menos – não é preciso mais – do que um demasiado enraizado hábito de pensar derrotista e auto castrador?

Bem, quanto à informação de que dispomos para a resolução do problema proposto “Quem eu quero ser”, atentemos ao seguinte: todos nós conhecemos alguém – pessoalmente ou não – que, pelo menos uma vez, nos tenha levado a pensar “Quem me dera ser como ele ou ela.” Que traços de personalidade e de carácter mais admiramos ou invejamos nessa pessoa? Querendo, nós podemos lá chegar. Basta-nos seleccionar esses traços, anotá-los e tratar de os aprender e desenvolver, de acordo com a nossa arquitectura interior, em vez do vulgar copy/paste. A esse processo podemos acrescentar o seguinte: se nos conseguimos lembrar de alguma vez termos admirado/invejado uma outra pessoa, provavelmente nos conseguimos lembrar das desculpas que demos a nós próprios para não tentarmos ser como essa pessoa. Essas desculpas são uma mentira. Talvez alguém nos tenha incutido essas ideias derrotistas. Talvez até sejam nossas. De qualquer forma, a questão é quem nos tem andado a mentir. E então, sabemos o que fazer.

A diferença entre dois seres humanos é praticamente insignificante. Por muito que o procuremos negar ou combater, a verdade é que o factor determinante na conquista de glória é quase sempre a determinação e não uma genialidade inata. Portanto, o sucesso depende muito – às vezes apenas e só – da motivação. Assim, quando pensarmos em quem queremos ser ou passar a ser, em vez de nos concentrarmos no que somos ou não capazes, por que não perguntarmos a nós próprios que motivação nos falta para nos tornarmos em quem e naquilo que somos verdadeiramente capazes?

… e o Futuro é já amanhã

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Devemos todos preocuparmo-nos com o futuro porque é nele que teremos que viver o resto das nossas vidas” – Charles F. Kettering

Uma vez que adquirimos um entendimento prático de quem nós somos e de como nos tornámos nessa pessoa que sabemos e assumimos ser, estamos prontos para nos recriarmos à nossa própria imagem. Estamos prontos para nos tornarmos na pessoa que queremos ser. Para isso, precisamos de voltar ao método de resolução do problema. Assim, o primeiro passo é a colocação da pergunta simples e óbvia:  “Quem quero eu ser?”

Ao respondermos a esta pergunta há algumas coisas que precisamos de ter em consideração. A primeira é que quase não há limites. Não temos que nos preocupar com o que os nossos educadores querem que nós sejamos. Não temos que nos preocupar com o que a sociedade diz que devemos ser. A única autoridade que alguém tem sobre nós é a autoridade que nós lhe concedemos. Podemos perfeitamente afirmar que (aqui em discurso directo) uma vez que sabes que és completamente livre para seres o que quiseres, o teu limite será a profundidade dos teus sonhos. Contudo, há que ter-se em conta dois aspectos importantes:

  1. Independentemente de quem decidamos ser, se formos e/ou nos mantivermos ignorantes, tudo o que fizermos será em vão. A estrutura das nossas crenças é o esqueleto da nossa mente. Se esse esqueleto estiver pervertido e/ou em pedaços soltos, de nada nos vale a aparência de possuirmos uma mente elegante. O resultado será o vivermos uma realidade igualmente pervertida e em pedaços soltos. O nosso crescimento será severamente limitado e as nossas acções serão de tal maneira ilógicas, que representarão sempre perigo para nós próprios e para as pessoas à nossa volta.Ainda que já mencionado em artigos anteriores, há três coisas que precisamos de seguir fazendo e pelo resto da vida: as duas primeiras dizem respeito ao empenho que devemos ter sempre em aprender e pensar. A terceira coisa que precisamos de fazer, assim que tivermos entendido o nosso passado e o nosso presente, é desmontar toda a estrutura das nossas crenças, analisar tudo logicamente e deitar fora tudo o que seja ilógico. Voltando à lista que fizemos (eventualmente) do que em que acreditamos, podemos sempre interrogarmo-nos por que razão consideramos lógica ou ilógica cada uma das nossas crenças. Podemos e devemos questionar sempre as nossas crenças.
  2. O segundo aspecto tem a ver com escolhas. Optarmos por não fazermos escolhas é fatalmente a pior escolha. Se não fizermos escolha nenhuma, tudo o que tenhamos feito até aqui terá sido para nada. Tal significa que regressamos ao ponto em que a nossa identidade é definida por forças externas. Dessa forma, ninguém pode ser dono da sua própria vida. E tudo o que tiver vivido será em vão. Na mesma linha de raciocínio, fazermos uma escolha pouco clara é tão mau como não fazermos escolha alguma. Quem diz apenas “Eu quero ser uma pessoa melhor”, na verdade não está a fazer escolha nenhuma. Está apenas a exprimir um desejo. Ao dizermos “Bem, eu quero ser um(a) astronauta”, aí está um pouco melhor. Mas, há muito mais na vida do que escolhermos como queremos ganhar a vida. Isto leva-nos ao segundo passo do método de resolução do problema.

O Presente (consciente) – cont.

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Tudo o que de mais possamos pensar para nos ajudar a avaliar quem somos nós, hoje, será de valor inestimável para o nosso crescimento no futuro. Ao mesmo tempo que formos reunindo essa informação, é bom que a vamos organizando. Recorrer à psicologia para melhor compreensão, e questionar tudo o que nos pareça superficial são opções de extrema importância. À medida que formos fazendo isso, tomemos notas dos resultados. Isso ajudar-nos-á a exprimir, não apenas quem nós somos, mas também as nossas crenças, aquilo em que acreditamos. Ser-nos-á benéfico no presente e será sempre uma referência no futuro. Se não tivermos um ponto de referência no papel, com tempo certamente acabamos por esquecer e a maior parte desse progresso perder-se-á. Convém a gente lembrar-se de que o lápis mais abrutalhado tem uma memória maior do que o tem a mente mais aguçada.

Dito isto, nem tudo neste método é um jogo de detectives, nem tudo pode ser graficamente disposto num pedaço de papel. Grande parte do aprendizado sobre nós próprios será feito a partir do escutar dos nossos pensamentos, da concentração sobre o que nos parece sermos nós próprios e da familiaridade crescente com nós próprios. Basicamente teremos que ter em conta o nosso auto conhecimento.

Um último aspecto que vale a pena mencionar na organização da informação sobre o nosso presente é que temos que isolar a má informação. Nós, sem que nos demos conta, somos muitas aquilo que vivenciamos. E vai daí, quantas vezes estamos a ser nós próprios? Ao optarmos pela exposição nas redes sociais (tão em voga), espectáculos idiotas, leituras sem o mínimo de consistência em matéria de algo que possamos aprender, e coisas que em nada nos ajudam a concretizar o objectivo da vida, estaremos como que metendo água num barco que já se está a afundar. Precisamos de filtrar todo o tipo de lixo intelectual que possa degradar ou provocar a degradação da nossa mente.

Sê tu próprio” é coisa que muito ouvimos dizer e dizemos igualmente. Afinal o que é isso de sermos nós próprios? Sermos nós próprios é como escrevermos uma história sobre nós próprios. O ingrediente chave de uma história não é o enredo, mas o conjunto de personagens. O enredo é definido pelos personagens. Os cenários têm a ver com os personagens. Os diálogos são, decididamente, controlados pelos personagens. Se os personagens são bons, a própria história se enreda neles na perfeição. Se os personagens forem mal caracterizados, não têm hipótese alguma de se encaixar em história nenhuma com o mínimo de equilíbrio, coerência e, em última instância, qualidade. A qualidade, a solidez e o prazer proporcionado pela minha história depende do personagem principal, que sou eu. E acontece que eu sou a única pessoa que pode e deve criar esse personagem.

O Presente (consciente)

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Depois de termos analisado o passado, que tal analisarmos o presente? Por outras palavras, que tal tentarmos encontrar resposta para “Quem sou eu hoje?”

O método é praticamente o mesmo que o utilizado para o passado. Mesmo que já tenhamos escrito a nossa autobiografia mais completa, precisamos ainda de escrever uma dissertação que comece por “Eu sou…” Vamos expressar quem somos. Como pode alguém dizer que se conheces de verdade se nunca tentou fazer algo semelhante?

À medida que formos vivendo o dia a dia, prestemos atenção aos padrões do nosso comportamento. Uma vez que os tenhamos identificado, tentemos compreender em que altura do nosso passado eles começaram e como esses padrões de comportamento têm afectado a nossa vida? Prestemos especial atenção aos nossos pensamentos. Descobriremos à determinada altura que repetimos os mesmos pensamentos muitas vezes. Num dia mau, temos pensamentos negativos; se estamos com pressa, pensamos  que algo nos pressiona, nos empurra; num dia bom, temos pensamentos positivos. E num dia sem nada fora do habitual, quais são os nossos pensamentos? O que dizemos a nós próprios? Precisamos de saber, porque nós somos aquilo que pensamos. Assim, o passo a dar é reunirmos a informação que não temos.

Uma ferramenta objectiva para nos ajudar a trazer à luz o que não sabemos sobre nós próprios é um teste de personalidade conduzido por um profissional. Pode ser caro, mas pode revelar-nos imenso acerca de nós, e pode até ajudar-nos a concluir que alguns aspectos da nossa personalidade tidos como “anormais”, são no fundo partes válidas de quem a gente é. Podemos fazer um teste de personalidade de borla através da Internet. Mas um teste profissional ajudar-nos-á mil vezes mais. Se há alguma coisa no mundo em que valha a pena gastar algum dinheiro, essa é tudo o que é inerente ao nosso desenvolvimento mental.

Certamente já fizemos a muitas pessoas perguntas sobre o nosso passado. Agora precisamos de fazer perguntas sobre o presente. Temos certamente à nossa volta pessoas que sabem coisas sobre nós, que não nos dizem, e nós precisamos dessa informação. A primeira pergunta que talvez queiramos fazer é “O que achas de mim?”. Qualquer de nós tem um saco cheio de imperfeições, que todas as pessoas que nos conhecem já repararam, mas nunca nos disseram. Talvez até nos tenham dito, mas tu não ouvimos. Toda a gente tende a não ouvir os reparos, ao mesmo tempo que arranja desculpas para o seu comportamento. Está na altura de pararmos de arranjar desculpas, admitirmos as nossas falhas e imperfeições, analisá-las e procurarmos  formas de as corrigirmos. Provavelmente a melhor forma de nos conhecermos a nós próprios é irmos para um país estrangeiro por algum tempo. Tudo o que tivermos como verdade absoluta e/ou dado adquirido será testado. Ver-nos-emos perante formas totalmente diferentes de ver e viver a vida. Os nossos métodos serão abalados e ver-nos-emos obrigados a rever todo o nosso entendimento sobre o que significa ser-se humano.

Mudar de país não é possível para a maioria das pessoas. Ainda assim, podemo-nos  sempre mudar para um local ou mesmo um retiro, longe de casa, por algum tempo. Por que não fazê-lo aproveitando as férias para passarmos alguns dias num qualquer local diferente do que a que estamos habituados? Quando passamos todos os dias da nossa vida a percorrer os mesmo circuitos, a ver as mesmas pessoas, começamos a ter-nos a nós próprios, as pessoas à nossa volta, e a vida em geral como dados adquiridos. Ao nos separarmos de tudo o que utilizamos para nos definirmos, seremos forçados a enfrentar o que na verdade isso é, e muito nos poderá até chocar. (continua)

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